Projeto: Mapeamento Participativo dos Terreiros da Regional V
APRESENTAÇÃO DO PROJETO
O projeto “Mapeamento Participativo dos Terreiros da Regional V” é resultado de um processo político de empoderamento das comunidades espirituais de religiões tradicionais afro-indígenas e afro-brasileiras referenciadas no Território Regional V. Tem como ponto central a realização participativa de um mapeamento de terreiros do Território Regional V, em Fortaleza, Ceará, lançando mão da etnografia, da cartografia social, da pesquisa-ação, da metodologia de Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC/IPHAN), das experiências locais em diagnóstico participativo com vistas ao desenvolvimento local sustentável, fortalecendo vínculos, capital social, tecido social, empoderamento político em rede territorial, gerando bases cartográficas, registros fotográficos e audiovisuais, relatórios técnicos, fortalecendo identidades e territorialidade da Regional V.
JUSTIFICATIVA DO PROJETO
O Território Grande Bom Jardim é fruto de um processo urbanístico e jurídico de desmembramento de 02 fazendas, por meio de loteamentos populares a partir de meados do século XX, com maior acento a partir da década de 1960, década explosiva do processo migratório campo-cidade no Estado do Ceará, influenciado, em grande medida, pelo ciclo econômico do algodão. Devido a essa origem rural e ilegal de ocupação e autoconstrução, muitos zeladores e zeladoras de santo derão preferência por assentar na região as suas famílias espirituais, fazendo do Território GBJ um celeiro de terreiros na cidade de Fortaleza. Notadamente, esses terreiros foram e são agentes sociais e políticos responsáveis pelo processo de ocupação e urbanização do Território. Ademais, segundo Censo IBGE 2010, pelo menos 70% da população é negra (65% negra-parda e 5% negra-preta). Essas características fundiárias e demográficas fazem do GBJ um Território de Axé e de Saravá. Desde 2012 o Ponto de Memória do Grande Bom Jardim tem dedicado esforço e energia para conferir a visibilidade necessária e de direito aos povos de terreiro do Território. Desde 2022, este é um território que abriga 4 Griôs Tesouros Vivos Cearenses. Dada à origem e à sua população negra, o GBJ é um Território marginalizado da cidade. As mídias sociais preferem construir no imaginário coletivo o GBJ como lugar da violência. E os poderes públicos, como lugar da falta de políticas públicas, da pobreza e das necessidades. Essas são decisões políticas. E o povo negro e de terreiro empoderado, com base em diagnóstico que eles mesmos fizeram, terão mais um instrumento de luta para a garantia de seus direitos individuais e coletivos.
Objetivo central:
Realizar diagnóstico participativo dos assentamentos sagrados de religiões tradicionais afro-brasileira e afro-indígena.referenciadas do território Regional V, contribuindo para (re)conhecer e localizar os diversos agentes no fazer cultural da cidade de Fortaleza, bem como os seus lugares de memória, formas de expressão, de celebração, dos saber-fazer, edificações, das lutas e resistências, dos guardiões da memória, promovendo o fortalecimento da compreensão de seus potenciais como agentes sociais e políticos transformadores da realidade social.
Específicos:
- Identificar e georreferenciar os assentamentos sagrados de religiões tradicionais afro-brasileira e afro-indígena referenciadas do território Regional V
- Identificar e analisar qualitativamente as raízes e ramificações dos assentamentos sagrados de religiões tradicionais afro-brasileira e afro-indígena referenciadas do território Regional V, traçando perfil destas comunidades e de seus componentes, contribuindo para elucidar o processo histórico de ocupação urbana, de ocupação dos espaços de tomadas de decisão política e de construção do Território e da cidade;
- Oferecer uma referência conceitual, histórico-antropológica para subsidiar o planejamento de políticas culturais para a cidade de Fortaleza, em especial, para os povos de comunidades espirituais tradicionais referenciadas nas culturas indígenas e africanas;
COMO PRETENDE ALCANÇAR ESSES OBJETIVOS?
O diagnóstico foi realizado com a participação dos representantes e participantes do segmento, numa perspectiva de pesquisa-ação de cunho etnográfica, tomando como referência teórico-metodológica o INRC e a cartografia social, de forma a georreferenciar os terreiros como lugares de memória, identificando, registrando e reconhecendo as formas de expressão, as celebrações, as edificações, artes-ofícios saber-fazer, guardiões da memória, lutas e resistências, constituindo informações históricas, antropológicas, sociológicas, sociopolíticas e geográficas relevantes.
Produtos – QUAIS RESULTADOS O PROJETO PRETENDE ALCANÇAR?
Bases cartográficas dos assentamentos sagrados de religiões tradicionais afro-indígenas e afro-brasileiras referenciadas do território Regional V, com diversos cruzamentos temáticos necessários e possíveis;
01 plataforma digital para salvaguarda dos dados e geração de informações quanti-qualitativas da pesquisa;
01 Relatório técnico de cunho etnográfico;
01 Síntese Diagnóstica para divulgação à imprensa e a gestores públicos;
01 Álbum fotográfico do processo e dos achados;
01 peça em audiovisual para divulgação do processo e dos achados para postagem na rede social YouTube, com adaptação para chamadas nas redes sociais WhatsApp e Instagram;
Equipe
01 Coordenação
05 pesquisadores sociais
01 geógrafo
01 programador plataforma
01 fotógrafo
01 designer
01 assessoria de imprensa
01 assessoria de mídias sociais
01 assessoria audiovisual
Equipe Técnica STAFF
Coordenação – @drikoalmeida_ Adriano Paulino de Almeida, sociólogo, 47 anos, gay, negro-pardo
05 Pesquisadores Sociais
Giuliano Freitas – Granja Lisboa – @giuliano.freitas
● Flávia Almeida – Granja Portugal – @flaviamoal
● Carla Vanessa – Siqueira – @carla_vbrasil
● Nathyelly Araújo – Bom Jardim – @nathy_ara33
● Paulo Fernando – Bonsucesso – @nandobxj
Geógrafa – @reginabalbino Regina Balbino da Silva – doutora em geografia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), negra-preta
Programador Plataforma – lucsa.dev@gmail.com Lucas dos Santos Almeida – Fatec Senai Mato Grosso – técnico desenvolvedor, programador, negro-pardo
Fotógrafo e videomaker – @ycro.martins Ycaro Martins – técnico profissional em fotografia e produção de audiovisual
Designer – @gabrielsousa.br Eduardo Gabriel de Sousa – graduado em marketing, morador do Território
Mídias Sociais – @falamais.oficial Adeilson Miranda – assessoria de comunicação em projetos sociais, artista popular, morador do Território
Jornalista – @jp.jornalismo Jocasta Pimentel Araújo Comesaña – graduada em comunicação social, especialista em teorias da comunicação, cultura e meios de comunicação, ensino de ciências humanas, 10 anos de experiência em assessoria de imprensa
PERFIL DE PESQUISADORES
✅ Ensino médio (pode ser incompleto)
✅ Goste de ler
✅ Tenha bom senso de observação
✅ Tenha boa escrita
✅ Interesse nas temáticas propostas
✅ Compreensão política do trabalho
✅ Compromisso com AEUSM e histórico de assiduidade nas atividades institucionais
✅ Disponibilidade de tempo para atender o cronograma proposto
✅ Parceria acadêmica
Atividades – AÇÕES DO PROJETO
- Composição de equipe técnica;
- Elaboração das fichas técnicas de coleta, dos modelos de termos de consentimento livre e esclarecido e de cessão de uso de imagem;
- Seleção de 05 pesquisadores sociais (3 mulheres e 02 homens – cis ou trans) integrantes de terreiros do Território, sendo 01 por bairro da Regional V, mediante um perfil técnico básico pré-estabelecido;
- 01 Reunião com representantes de terreiros e de barracões do Território Regional V para apresentação do projeto, pactuação política e construção de calendário para execução;
- 01 Formação dos 05 pesquisadores sociais (3 mulheres e 02 homens – cis ou trans) integrantes de terreiros do Território selecionados;
- Realização de pré-teste das fichas técnicas de coleta e avaliação técnica coletiva com equipe de pesquisadores e agentes parceiros colaboradores;
- 05 Reuniões de validação das referências culturais georreferenciadas pelas leituras comunitárias, sendo 01 por bairro do Território Regional V;
- 42 visitas in loco dos pesquisadores sociais para aplicação das fichas técnicas de coleta de dados, por bairro do Território Regional V;
- Digitação e tabulação dos dados pelos 5 pesquisadores e coordenação na plataforma digital para salvaguarda dos dados e geração de informações quanti-qualitativas da pesquisa;
- Estruturação de sumário e dissertação do Relatório técnico de cunho etnográfico e da Síntese Diagnóstica para divulgação à imprensa e a gestores públicos;
- Lançamento e publicação dos produtos 01 Relatório técnico de cunho etnográfico; 01 Síntese Diagnóstica para divulgação à imprensa e a gestores públicos; 01 Álbum fotográfico do processo e dos achados; 01 peça em audiovisual para divulgação do processo e dos achados.
CRONOGRAMA
| ATIVIDADES | MÊS 01 | MÊS 02 | MÊS 03 | MÊS 04 | MÊS 05 | MÊS 06 | MÊS 07 | MÊS 08 |
| Composição e alinhamento de equipe técnica; | x | |||||||
| Elaboração das fichas técnicas de coleta, dos modelos de termos de consentimento livre e esclarecido e de cessão de uso de imagem; | x | |||||||
| Seleção de 05 pesquisadores sociais (3 mulheres e 02 homens – cis ou trans) integrantes de terreiros do Território, sendo 01 por bairro da Regional V, mediante um perfil técnico básico pré-estabelecido; | x | |||||||
| Criação da identidade visual e logomarca do projeto | x | |||||||
| Criação da plataforma digital (site) | x | X | X | |||||
| 01 Formação dos 05 Pesquisadores Sociais | x | |||||||
| Realização de pré-teste das fichas técnicas de coleta e avaliação técnica coletiva com equipe de pesquisadores e agentes parceiros colaboradores; | x | |||||||
| 42 visitas in loco de lideranças espirituais da AEUSM e pesquisadores sociais para aplicação das fichas técnicas de consentimento, cessão de uso de imagem e de coleta de dados, com meta de, pelo menos, 10 por bairro do Território Regional V; | x | x | X | X | ||||
| 42 visitas in loco para registros fotográficos e audiovisual | x | x | X | X | X | |||
| 05 Reuniões de validação das referências culturais georreferenciadas pelas leituras comunitárias, sendo 01 por bairro do Território Regional V; | X | X | ||||||
| Lançamento e publicação dos produtos | X |
| PROFISSIONAIS | MÊS 01 | MÊS 02 | MÊS 03 | MÊS 04 | MÊS 05 |
| 01 Coordenação | x | x | x | x | x |
| 05 pesquisadores sociais | x | x | |||
| 01 geógrafo | x | x | x | ||
| 01 programador plataforma | x | x | |||
| 01 fotógrafo | x | x | x | x | |
| 01 designer | x | x | x | ||
| 01 assessoria de imprensa | x | x | |||
| 01 assessoria de mídias sociais | x | x | x | ||
| 01 assessoria audiovisual | x | x | x | x | x |
META E PÚBLICO-ALVO ALCANÇÁVEL DO PROJETO
Meta de 50 terreiros do Território, dos 5 bairros, diretamente envolvidos, participantes e mapeados pela experiência participativa de diagnóstico dos assentamentos sagrados de religiões tradicionais afro-brasileiras e afro-indígenas referenciadas do território Regional V. A maioria dos pesquisadores sociais são filhos de santo.
DE QUE FORMA O PROJETO PRETENDE ATINGIR SEU PÚBLICO-ALVO ?
O processo de diagnóstico participativo, em caráter de Pesquisa-Ação, é estratégico para gerar nas pessoas participantes o entendimento global de que cada pessoa é parte do processo, das tomadas de decisão de processo, gerando uma convocação livre e espontânea da vontade de participação social, a partir da consolidação coletiva de sentimentos individuais compartilhados, tornando os objetivos e os resultados esperados uma meta coletiva e de interesse público, fortalecendo e promovendo autoconhecimento e afirmação étnica e territorial. Todas as macro decisões, de partida, de processo e de resultados, serão tomadas em reuniões ampliadas com os sujeitos políticos envolvidos.
COMO FOI REALIZADA A COMUNICAÇÃO DO PROJETO?
O projeto preocupa-se com a garantia de registros de processo da pesquisa inventário, trabalhando a divulgação em mídias sociais, a produção e circulação de, pelo menos, 02 releases em mídias profissionais com objetivo de inserção da pauta nos principais veículos cearenses e produção de matérias em rádios, periódicos e televisão, e a produção de 01 peça em audiovisual acerca do processo. Também a produção de uma síntese diagnóstica para facilitar comunicação com as mídias profissionais locais. Para essas ações estão previstos profissionais de cada uma das áreas da comunicação citadas.
CONTRAPARTIDA
Realização de 01 oficina de 8 horas aulas de transferência de tecnologia social de mapeamento participativo territorial de terreiros com metodologia etnográfica, cartografia social, pesquisa-ação, inspirada no INRC.